quinta-feira, 17 de agosto de 2017

MESA DE SETIEMBRE

Informamos que la próxima mesa de exámenes correspondiente al turno de setiembre se llevará a cabo el martes 26/9 en los siguientes horarios, según niveles:

NIVEL MEDIO: 11 a 13 HS.

NIVEL ELEMENTAL: 13:30 a 15:30 HS.

NIVEL SUPERIOR: 13:30 A 16:30 HS.



Publicación de notas: EL VIERNES 20 DE OCTUBRE A LAS 17 HS. en la cartelera de Portugués del Depto. de Lenguas Modernas (tercer piso).

Se firmarán libretas de alumnos que hayan aprobado el nivel superior en instancias anteriores el martes 26 de setiembre, en el horario de 14 a 16 hs.

Tener en cuenta "Recomendaciones para alumnos libres".

El material bibliográfico de apoyo se encuentra disponible en la Fotocopiadora de primer piso (junto al CBC) y en La Caverna sobre calle Puán a metros de Pedro Goyena.



terça-feira, 8 de agosto de 2017

100 cantores/grupos brasileiros

100 cantores/grupos brasileiros

Os artistas estão divididos por gênero, são de várias décadas diferentes e sem nenhuma ordem de preferência.

Axé

O axé é um gênero musical tipo da Bahia que surgiu durante o carnaval e mistura ritmos como forró, maracatu, etc.
Ivete Sangalo – Provavelmente a cantora mais carismática dessa lista, com músicas que grudam na cabeça e cheias de energia.

Daniela Mercury – responsável pela popularização desse tipo de música no Brasil.
Netinho – um dos representantes mais importantes do gênero.

Bossa nova

A bossa nova é um ritmo que mistura samba e jazz surgido no Rio de Janeiro nos anos 50.
Tom Jobim – Considerado o maior expoente da música brasileira, foi um dos compositores da  famosa canção “Garota de Ipanema”.
Vinicius de Moraes – além de grande compositor, um grande poeta e dramaturgo. Em parceria com Tom Jobim criou a famosa canção “Garota de Ipanema”.

João Gilberto – grande compositor, que levou a música brasileira ao mundo,  considerado como um dos maiores artistas da história da música brasileira.

MPB

MPB significa “Música Popular Brasileira”, surgiu como contra ponto à bossa nova, buscavavalorizar a música de origem brasileira. Hoje em dia, abrange uma grande variedade de artistas de diferentes gêneros.
Elis Regina – cantora famosa pelas grandes interpretações, o maior ícone da MPB.
Chico Buarque – grande compositor e intérprete, conhecido pelas grandes performances nos palcos.
Gilberto Gil – cantor inovador, que mistura em suas músicas vários gêneros musicais, como o reggae, samba e forró.
Tim Maia – cantor conhecido pelas declarações polêmicas, voz rouca, de estilo soul.
Zélia Duncan – cantora talentosa que canta diversos ritmos diferentes.
Milton Nascimento – conhecido pelas grandes composições e parcerias com artistas brasileiros e estrangeiros.
Djavan – cantor conhecido pelas composições simples, mas extremamente tocantes.
Caetano Veloso – um dos artistas mais influentes da música brasileira, conhecido pela releitura e poesia em suas músicas.
Arnaldo Antunes – grande compositor conhecido pelo estilo alternativo.
Roberto Carlos – cantor predileto de todas as mães e avós do Brasil, conhecido pelas antigas canções de rock dos anos 60 e músicas românticas produzidas a partir da década de 70.
Marisa Monte – umas das cantoras mais conhecidas e premiadas, tanto no Brasil, como no exterior.
Seu Jorge – cantor e ator supertalentoso. Adorado pelos estrangeiros que conheço.

Jorge Ben Jor – umas das vozes mais importantes da música brasileira, seu estilo não segue nenhum gênero determinado, mas mistura vários estilos diferentes.
Ana Carolina – cantora com a voz poderosa da geração mais nova da MPB.
Toquinho – cantor e compositor com várias canções célebres.
Adriana Calcanhoto – cantora e compositora de estilo variado.
Maria Rita – filha de Elis Regina, é considerada como umas das grandes intérpretes do Brasil na atualidade.
Mallu Magalhães – uma das cantoras mais jovens dessa lista, mas já reconhecida como uma grande cantora-compositora.
Céu – cantora talentosa com várias influências musicais, como o samba, jazz e R&B.
Tulipa Ruiz – umas das grandes compositoras da nova geração da MPB.
Erasmo Carlos – um dos compositores de maior sucesso no Brasil.
Dorival Caymmi – um dos nomes mais importantes da música brasileira do século XX.
Lenine – o cantor navega entre o rock e a MPB, um dos compositores mais importantes do Brasil.
Maria Gadú – sucesso de crítica e público, um dos maiores talentos da nova geração da MPB.
Ney Matogrosso – com uma voz marcante, o cantor não pode ser encaixado em nenhum estilo musical específico.
Zé Ramalho – cantor que mistura muito bem estilos brasileiros com o rock, blues e folk.
Vanessa da Mata – cantora premiada da nova geração da MPB.

Pop

Lulu Santos – compositor de grandes sucessos com canções que agradam todas as pessoas.
Kid Abelha – uma das bandas pop de maior sucesso no Brasil nos anos 80.
Sandy – começou a cantar ainda criança com o irmão, e hoje é conhecido perfeita técnica vocal e belas composições.

Wanessa – passou por diversos ritmos na carreira, mas fez sucesso realmente com as músicas pop-dançantes.
Jota Quest – é umas das bandas de pop-rock mais tocadas do Brasil.
Silva – cantor pop da melhor qualidade.

Rap

Marcelo D2 – cantor conhecido por misturar samba e rap.

Racionais Mc’s – banda conhecida por denunciar as mazelas sociais.
Negra Li – cantora com uma bela voz que não se limita ao rap.
Rappin’ Hood – um dos rappers mais respeitados do Brasil.
Criolo – um dos melhores rappers brasileiros que diversifica com ritmos diversos.
Projota – é uma das promessas do rap brasileiro.
Emicida – um dos rappers mais talentosos que surgiu no Brasil na última década.

Rock

Legião Urbana – a banda de rock do maior sucesso do Brasil, a banda era liderada pelo cantor Renato Russo, talentoso letrista.

Raul Seixas – foi um dos pioneiros do rock brasileiro, conhecido pelo estilo psicodélico e por misturar rock e baião.
Nota: Baião é um gênero de música e dança popular da região Nordeste do Brasil.
Titãs – uma das maiores bandas do rock brasileiro, conhecido pelo estilo pós-punk.
Barão Vermelho – Banda iniciado pelo Cazuza e que depois teve como vocalista Roberto Frejat.
Cazuza – cantor conhecido pelas grandes letras, tendo compostas músicas que fazem sucesso até hoje.
Cássia Eller – intérprete conhecida pela voz rouca e pela energia nos palcos.

Los Hermanos – grupo de rock alternativo com ótimas letras.
Pato Fu – banda de rock alternativa com bastantes experimentalismos.
Arnaldo Baptista – integrante original do grupo “Os Mutantes”, se encaixa no estilo rock progressivo.
Paralamas do Sucesso – uma das bandas mais conhecidas do rock brasileiro, famosa pelos estilos ska e pop-rock.
Sepultura – a banda de metal de grande sucesso no Brasil e no exterior.
Camisa de Vênus – banda de punk rock que fez muito sucesso nos anos 80.
O Rappa – banda conhecida pelo estilo que mistura rap e rock, com muitas letras que denunciam problemas sociais.
Ira – umas das bandas de rock mais importantes da cidade de São Paulo dos anos 80.
Capital Inicial – banda formada no início dos anos 80, que vai do punk ao pop-rock.
Rita Lee – umas das cantoras mais influentes do Brasil, conhecida como a “Rainha do Rock”.
Tihuana – banda de rock com várias influências, incluindo a música latina.
Angra – uma das bandas de metal mais influentes da história brasileira.
Nando Reis – ex-membro da banda Titãs, é um dos compositores mais requisitados do Brasil.
Pitty – atualmente é a única mulher de destaque no rock brasileiro.
Malta – a mais nova banda de rock da lista ficou famosa ao ganhar um programa de televisão.
Skank – banda passou por vários estilos de rock, mas ficou conhecida pelas músicas do estilo ska e pop-rock.
RPM – uma das bandas de rock de mais sucesso dos anos 80 do Brasil.
Nação Zumbi – banda de rock com várias experimentações com outros gêneros.
Engenheiros do Hawaii – Banda de rock conhecida pelas letras irônicas e críticas.
Biquíni Cavadão – mais uma banda de rock de grande sucesso que se originou nos anos 80.

Samba

Estilo musical derivados de danças africanas se tornou o símbolo da música brasileira.
Cartola – considerado por muitos como o maior sambista brasileiro
Paulinho da Viola – um dos sambistas mais respeitados do Brasil, conhecido também pelas canções de choro.
Nota: O choro é um gênero de música popular e instrumental brasileira, que surgiu no Rio de Janeiro em meados do século XIX.
Elza Soares – umas das cantoras mais respeitadas do samba.
José Bezerra da Silva – cantor que usava o samba para denunciar problemas sociais.
Beth Carvalho – conhecida pelas grandes interpretações e por ter apadrinhado vários cantores de talento.
Zeca Pagodinho – cantor carismático e talentoso, uma unanimidade nacional.
Diogo Nogueira – um dos sambistas mais talentosos da nova geração.

Alexandre Pires – cantor conhecido pelas letras românticas.
Nelson Cavaquinho – um dos compositores mais tradicionais de samba, com temas mais trágicos como a morte e a desesperança.

Samba-reggae

Carlinhos Brown – Famoso e polêmico cantor e agitador cultural.
Olodum – grupo que inovou misturando reggae e samba.

Sertanejo

Quando estrangeiros me perguntam o que é sertanejo, eu respondo: country brasileiro.
Daniel – cantor que mistura o sertanejo tradicional e músicas românticas.
Chitãozinho & Xororó – umas das duplas sertanejas mais tradicionais do Brasil.
Sérgio Reis – um dos cantores mais tradicionais e respeitados da música sertaneja.
Victor & Leo – uma das duplas atuais de maior sucesso no mercado brasileiro.
Jorge & Matheus – atualmente a dupla sertaneja de maior sucesso do Brasil.
César Menotti & Fabiano – mais uma dupla sertaneja que faz bastante sucesso na atualidade.
Michel Teló – não importa onde você vive no mundo, você provavelmente já escutou essa música:

Paula Fernandes – uma das cantoras de maior sucesso do Brasil, com a mistura de pop e música sertaneja.
Fernando & Sorocaba – umas das duplas mais influentes da nova geração do sertanejo.
Tonico & Tinoco – a dupla que representa o sertanejo tradicional.

Outros ritmos

Luiz Gonzaga – é o artista mais importante da música nordestina, conhecido como o Rei do Baião.

Natiruts – é a maior banda de reggae do Brasil.
Tribo de Jah – outra banda percussora do reggae no Brasil.
Chimarruts – famosa banda que mistura reggae e pop.
Aviões do forró – uma das bandas de “forró eletrônico” mais tocadas no Brasil.
Pixinguinha – fez vários tipos de música, mas é mais conhecido pelo estilo choro.
Otto – cantor com várias influências, um dos percussores do chamado manguebeat.
Nota: Manguebeat foi um movimento cultural que misturou ritmos regionais, como o maracatu, forró com rock, hip hop , funk e música eletrônica.
Qual deles é o seu predileto? Faltou alguém nessa lista?
Fonte; 100 cantores/grupos brasileiros

terça-feira, 27 de junho de 2017

MESA DE JULIO

Informamos que la próxima mesa de exámenes regulares y libres se llevará a cabo el día ...

... MARTES 11 DE JULIO en los siguientes horarios...

NIVEL MEDIO: de 11 a 13 hs.

NIVEL ELEMENTAL: de 13 a 15 hs.

NIVEL SUPERIOR: de 13 a 16 hs.


Publicación de notas: EL MARTES 18 DE JULIO A LAS 18 HS. en la cartelera de Portugués del Depto. de Lenguas Modernas (tercer piso).

Se firmarán libretas de alumnos que hayan aprobado el nivel superior en instancias anteriores el martes 11 de julio, en el horario de 13:30 a 15:30 hs.

Tener en cuenta "Recomendaciones para alumnos libres".

El material bibliográfico de apoyo se encuentra disponible en la Fotocopiadora de primer piso (junto al CBC) y en La Caverna sobre calle Puán a metros de Pedro Goyena.



sábado, 6 de maio de 2017

MESA DE MAYO

Informamos que la próxima mesa de alumnos libres se llevará a cabo ...

... el MARTES 16 DE MAYO en los siguientes horarios...

NIVEL MEDIO: de 11 a 13 hs.

NIVEL ELEMENTAL: de 13 a 15 hs.

NIVEL SUPERIOR: de 13 a 16 hs.


Publicación de notas: EL MARTES 6 DE JUNIO A LAS 18 HS. en la cartelera de Portugués del Depto. de Lenguas Modernas (tercer piso).

Se firmarán libretas de alumnos que hayan aprobado el nivel superior en instancias anteriores, en el horario de 13 hs. a 15 hs.

Tener en cuenta "Recomendaciones para alumnos libres".

El material bibliográfico de apoyo se encuentra disponible en la Fotocopiadora de primer piso (junto al CBC) y en La Caverna sobre calle Puán a metros de Pedro Goyena.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

"LÍNGUA MATERNA, LÍNGUA PATERNA"


Marcos Bagno


O linguista Bernard Cerquiglini, em dois de seus livros sobre a história do francês, emprega a expressão língua paterna para se referir ao produto das políticas de normatização que incidem sobre as línguas de sociedades grafocêntricas, como as europeias. Evidentemente, língua paterna se contrapõe a língua materna, um conceito muito difundido e de uso amplo dentro e fora das discussões especializadas. Cerquiglini emprega muito esporadicamente a expressão nos livros citados, mas vale a pena desenvolvê-la um pouco mais aqui, porque me parece uma interessante polarização para entendermos as relações entre linguagem e sociedade.


A língua materna é precisamente a língua da mãe, a língua que cada pessoa começa a adquirir tão logo nasce e cria o vínculo afetivo-linguístico com a mãe (ou, na falta dela, com a pessoa que venha a preencher esse papel). É uma língua puramente oral — falada e ouvida —, mesmo quando provém da voz de uma pessoa altamente letrada. Língua do afeto, do desejo, do íntimo, do sonho, vive à margem dos ditames da norma canonizada. A língua materna é intrinsecamente variável, doméstica, familiar, idioma particular daquilo que em inglês se chama household, um termo que inclui a casa, seus ocupantes e todas as atividades ali desenvolvidas por eles. Quando, na história de cada sociedade, uma determinada língua — ou mais precisamente, uma das variedades dessa língua — é alçada à condição de língua oficial, ocorre uma importante metamorfose — a língua materna se torna língua paterna, transformada em padrão (do latim patronu-, onde está presente a raiz pater- ‘pai’, mesmo vocábulo do qual procedem patrão e patrono). É a língua patrocinada pelo Estado e, irradiando-se dele, a língua da escola — isso explica o choque que muitas pessoas (especialmente os falantes de variedades linguísticas estigmatizadas) experimentam ao tomar contato pela primeira vez com uma língua que, em boa medida, além de estranha é quase estrangeira. A língua paterna é essencialmente escrita, ortografizada, normatizada.


A língua paterna é a língua da Lei, sempre associada à figura do pai, inclusive nos postulados da psicanálise freudiana. A língua materna — língua de mulher — sofre na maioria das sociedades as mesmas depreciações dedicadas ao gênero feminino: é o lugar do “erro”, do “desvio”, do “frágil”, do pouco confiável, do instável, do inconvenientemente sensível e sensitivo. Ao pai cabe domar e domesticar esse idioma errático, conferindo-lhe regras, regimentos, registros, regências, regulamentos — palavras todas derivadas de rex, regis, ‘rei’, assim como recto, direcção, correcção, régua. É a língua do Direito (< derectu-, ‘o que está reto’), erigida como lei linguística. A língua paterna é a língua da erecção, a língua do rei, pai da nação, símbolo do Estado.


Um elemento fundamental nessa padronização é, sem dúvida alguma, a presença da escrita, tomada sempre em sua vertente canônica, douta, literária. Tudo o que tem a ver com a instituição de uma linguagem “certa”, “oficial”, “uniforme”, “normatizada” etc. também tem a ver com o uso intenso da escrita. Daí advém o uso tradicional da expressão norma culta, identificada sempre com a linguagem escrita mais formal, mais monitorada, de preferência com pretensões “literárias”. As sociedades que são fortemente letradas, isto é, em que a cultura escrita é onipresente e supervalorizada, são também aquelas que ostentam instituições com grande poder centrípeto sobre as forças de mudança da língua. O linguista canadense J. M. Paquette explica de que maneira a normatização da língua se associou estreitamente à normatização jurídica durante o período da história europeia em que os Estados nacionais se fortaleceram e se sentiu a necessidade de todo um corpo de instituições e de funcionários capazes de elaborar normas, regulamentos e leis, processo que exigiu, simultaneamente, a uniformização das ortografias e a padronização das regras gramaticais:



tanto quanto possamos apreender suas origens na história, o serviço da chancelaria real já pode ser percebido como um universo da escrita estreitamente ligado à atividade jurídica. Não há mais dúvidas, a seguir, de que, na história das diversas chancelarias da Europa, assim será até nas épocas mais recentes — mas é interessante observar que desde sua emergência na história das instituições, o conjunto das funções da chancelaria vinculam a escrita e o direito.



Não é por mera coincidência, então, que também neste período (séculos XIV-XVI) tenham sido escritas as primeiras gramáticas normativas das línguas europeias. Esse vínculo estreito entre escrita e direito é o que explica por que as gramáticas normativas “se apresentam até os nossos dias sob a forma de um verdadeiro código de direito, com a regra, os parágrafos, os artigos, as exceções quanto aos exemplos tirados dos autores” — segundo Paquette, “é porque elas têm mais ou menos uma função análoga à da jurisprudência”.


A masculinidade da língua padronizada é explicitada no célebre introito da gramática de João de Barros (1540), em que o autor escreve que os antigos definiram a palavra gramática como “hũ módo çérto e iusto de falár, & escreuer, colheito do uso, e autoridáde dos barões doutos”. “Barões” é outra forma de “varões”, ou seja, homens, pois são eles — e jamais as mulheres — os conhecedores e praticantes do “modo certo e justo de falar e escrever”.


Uma vez instituída fora do lar, na esfera pública, a língua paterna logo encontra seus defensores, eminentemente masculinos, capazes de preservá-la em sua pureza. É o trabalho sempre trágico e desesperado dos puristas. Nas palavras de Cerquiglini,



atentar [contra a língua paterna], por meio de algumas reformas (reajustes ortográficos, feminização dos nomes das profissões), ou pela tolerância para com as palavras estrangeiras não é somente ofender o uso, é desatar os fios do eu. A novidade induzida dispara uma reação cuja regularidade quase predizível, cuja sinceridade decerto, cuja violência por vezes, mostram que a correção gramatical não é só o que está em causa. Inversamente, amar e defender a norma, mesmo incoerente, vale por atestado de cidadania, penhor de adesão à comunidade nacional [...]



A língua paterna se ergue como patrimônio a ser preservado. Vem devidamente codificada nas gramáticas e catalogada nos dicionários. É a norma-padrão, identificada com a Pátria. A língua materna vive à margem da Lei, no interior das casas, não deve sair do gineceu. No entanto, é nesse mundo desprezado (ou alvo de paternalismo condescendente) que pulsa a força vital da língua, seus processos de mudança, suas metáforas, sua interminável poética. É nele que vamos conhecer, não mais a língua do Estado, porém o real estado da língua.


Quando dizemos, por exemplo, que desde o México, na América do Norte, até o extremo sul da Argentina, às portas da Antártida, se fala “espanhol”, é à língua paterna que estamos nos referindo, um espanhol padronizado, neutralizado em suas diferenças. Na vida íntima dos povos, contudo, esse espanhol não existe: existem incontáveis variedades maternas que, quando comparadas, constituem verdadeiras línguas diferentes entre si. É inconcebível que num território tão vasto, com ecologias tão diversas, populações resultantes de um sem-fim de mestiçagens em sociedades com história política e cultural muito distintas, se fale uma só e mesma língua. E nem é preciso comparar dois países autônomas: num só México, vasto país com seus 120 milhões de habitantes, as variedades de “espanhol” formam uma gama numerosa e diversificada.


O mais interessante em tudo isso é que, tradicionalmente, o rótulo “língua materna” é aplicado, sobretudo no ensino, a uma idealização de língua, a um modelo padronizado, justamente o que chamamos aqui de língua paterna.


É claro que essa língua paterna tem sua importância social e cultural e que, quando bem identificada, deve ser o instrumento da educação institucionalizada. O grande problema é que, nessa supervalorização da língua normatizada, tudo o que não se encaixa nesse modelo pátrio é lançado no inferno do “não ser”, do “isso não é português”. As conquistas feministas dos últimos cem anos podem servir de exemplo para a reavaliação e reformulação das relações língua-sociedade. Podemos tranquilamente conviver com a língua paterna sem precisar desprezar a língua que aprendemos em casa, com a nossa mãe, língua que absorvemos junto com o leite materno e – por que não? – desde o útero.


Fonte: http://e-proinfo.mec.gov.br/eproinfo/blog/preconceito/lingua-materna-lingua-paterna.html





quarta-feira, 12 de abril de 2017

COLEÇÃO DEDICADA À REVOLUÇÃO RUSSA DE 1917



Para comemorar o evento que definiu boa parte do século XX, a editora Boitempo lança uma coleção de livros dedicados à Revolução russa de 1917.

Talvez valha dizer que houve duas revoluções: a de Fevereiro e a de Outubro. A Revolução de Fevereiro foi, em um sentido, a precursora da que foi depois chamada de Grande Revolução de Outubro. Esta segunda fez, posteriormente, com que muitas coisas na Rússia fossem chamadas com o nome do mês, verdadeiro xodó da União Soviética.
A editora-chefe da Boitempo, Ivana Jinkings, concedeu um comentário exclusivo à Sputnik Brasil descrevendo assim o objetivo do projeto editorial:
"Muito já se escreveu sobre estes eventos e o balanço de seus erros e acertos está longe de se consolidar. Quase três décadas após o fim do regime socialista na União Soviética, talvez já seja possível ter um olhar mais objetivo sobre o tema."
Uma atenção especial é prestada à influência cultural, e não somente à política, da Revolução Russa.
"Realizada num país atrasado, em meio a um conflito de largas proporções — a I Guerra Mundial — e em um momento em que o capitalismo monopolista assumia um vigor inusitado, a Revolução de 1917 produziu reflexos em inúmeras áreas do conhecimento. Não há praticamente domínio da cultura que tenha ficado imune a seus impulsos.
Arquitetura, música, artes plásticas, artes cênicas, fotografia, cinema, publicidade, entre outros, foram tocados de forma indelével pelo formidável movimento de massas desencadeado naquele país. Os livros e antologias que serão publicados ao longo de 2017 procuram abarcar, de forma multidisciplinar, alguns dos acontecimentos complexos que afetaram a vida de milhões de pessoas. Se com isso pudermos despertar a curiosidade para um estudo mais aprofundado sobre assunto tão vasto, nossos objetivos terão sido plenamente alcançados", sublinha Jinkings.
O mês de março, no qual se celebra o Dia das Mulheres, acolherá um dos lançamentos mais discutidos e esperados deste ano: "A revolução das mulheres — emancipação feminina na Rússia Soviética". O livro (que, entre outros escritos feministas, contém também obras de Aleksandra Kollontai, primeira embaixadora da União Soviética) foi preparado por uma equipe completamente feminina, chefiada pela tradutora e especialista em cultura e literatura russa Graziela Schneider.
Além disso, a editora prepara vários títulos sobre Vladimir Lenin (inclusive "O Estado e a revolução", pelo próprio líder da Revolução de Outubro) e sobre vários assuntos da revolução, por exemplo, "Arte e cultura na Revolução Russa", coletânea organizada por Bruno Gomide, da Universidade de São Paulo (USP).
FONTE: https://br.sputniknews.com/brasil/201703047817214-revolucao-russa-1917-ecos-brasil/

domingo, 9 de abril de 2017